O futuro dos eventos é acessível

Falamos muito sobre a antecipação do futuro a partir da pandemia, e essa intensificação do uso de tecnologias aplicadas em estilos de vida e trabalho, que hoje estão totalmente ressignificadas para grande parte da população.

Citamos por aqui os eventos online 4.0, passando por experiências híbridas até a era phygital, e concluímos: o futuro é acessível.

Neste artigo, vamos falar sobre isso: acessibilidade nos eventos do futuro. Antes disso, você sabe realmente o que é acessibilidade?

O que é acessibilidade?

Segundo a legislação brasileira (decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004), o conceito de acessibilidade é descrito como uma condição para utilização de espaços com segurança e autonomia, seja ela total ou assistida.

Isso quer dizer que serviços de transporte, dispositivos, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, sistemas, meios de comunicação e informação, precisam ser usados dentro das condições citadas acima por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Isso inclui muitos aspectos distintos ao falarmos sobre acessibilidade de modo geral. Separamos algumas das principais e listamos abaixo, confira:

1. Acessibilidade atitudinal: quando uma pessoa consegue reconhecer o outro como igual, sem preconceitos, estereótipos e discriminações. Ou seja, esta é primordial para que todos os outros tipos de acessibilidade possam funcionar.

2. Acessibilidade arquitetônica: quebra de barreiras físicas, seja em residências, edifícios ou espaços e equipamentos urbanos. Como por exemplo, banheiros e elevadores adaptados, rampas, piso, entre outros.

3. Acessibilidade metodológica ou pedagógica: viabilização de metodologias e técnicas de estudo, como são concebidos os conhecimentos, aprendizagem, avaliação e inclusão educacional.

4. Acessibilidade programática: refere-se a políticas públicas, sejam elas leis, decretos, normas, regulamentos, etc. Essas políticas devem vislumbrar a possibilidade de acessos assim como promover o avanço dos direitos humanos em todos os seus âmbitos.

5. Acessibilidade instrumental: instrumentos, utensílios, ferramentas de estudo, trabalho, lazer e recreação são essenciais e refletem a qualidade do processo de inclusão plena do indivíduo na educação, por exemplo.

6. Acessibilidade nos transportes: veículos, pontos de paradas, calçadas, terminais, estações, entre outros. Para que aqueles com algum tipo de deficiência física ou mobilidade reduzida consigam fazer uso de tudo com segurança e autonomia, sem nenhum prejuízo para sua locomoção.

7. Acessibilidade nas comunicações: mais comum identificarmos essa acessibilidade com a língua de sinais, assim como jornais, revistas, apostilas, livros e cartas com textos em braille, incluindo computadores portáteis e virtuais e o uso de intérpretes.

8. Acessibilidade digital: disponibilidade de comunicação, acesso físico, equipamentos e programas adequados, conteúdos, apresentações e informações em formatos alternativos.

Acessibilidade na era digital

Estamos na era onde acessibilidade digital tem sido muito questionada, logo cobrada. Quem acompanhou o boom do aplicativo ClubHouse, sabe do que estamos falando.

Não tem muito tempo, esse aplicativo recebeu críticas que fizeram uma grande parte dos usuários repensarem o seu formato e uso, afinal, as conversas por áudio excluem cerca de 500 milhões de pessoas (segundo dados da Organização Mundial da Saúde) que possuem qualquer grau de surdez.

Entre outras práticas excludentes, o aplicativo também possui barreiras de acessibilidade para as pessoas com deficiência visual, que enfrentam dificuldades para utilização de recursos de navegação pela tela do aplicativo, como por exemplo, o recurso de “levantar a mão” para participar ativamente dos debates e reconhecimento dos participantes.

Isso nos leva a questionar: em tempos de eventos 4.0 e da era phygital mais presente que nunca, significa também que eventos online estão desde 2020 acontecendo em formatos digitais para realmente todes?

Segundo dados levantados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo menos 45 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, quase 25% da população do país.

Quando falamos sobre o futuro dos eventos devemos também falar sobre acessibilidade, já aplicada no presente digital. Levando em consideração que estamos tratando de potenciais consumidores, no agora e no futuro com a volta dos eventos.

Acessibilidade nos eventos do futuro: recursos que podemos implementar

Enquanto produtores de entretenimento por meio de eventos, torná-los acessível e democráticos é urgente, e pra ontem! Faz parte do futuro que tanto falamos por aqui e queremos construir:

Se apresente e descreva elementos visuais

O ano das lives trouxe atitudes como a apresentação inicial, incluir a descrição de como você é, sua roupa e cenário, como práticas padrão no meio digital, a exemplo da hashtag #pratodesverem (e variações). Ou seja, a descrição de elementos visuais é um ato que além de gerar aproximação, acolhe de forma gentil e empática.

Tornar o serviço requisitado, o torna acessível também

Mudança de planos no orçamento! Já pensou que a movimentação para tornar estratégias acessíveis em necessidades primordiais, prioritárias na construção de qualquer evento, também vai fazer com que esses custos sejam viáveis?

O produtor que pensa em fidelizar um público oferecendo uma experiência completa e positiva sai ganhando nesse investimento. A falta de demanda por essas práticas apertam no orçamento porque ainda estamos excluindo 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência dos eventos.

E é claro que essas 45 milhões de pessoas não vão ao seu evento, por isso conheça as que irão, pesquise quem pode ser seu público e quais são as necessidades que eles possuem.

Dessa forma fica muito mais fácil entender quais são as demandas e estratégias acessíveis que o seu evento também terá.

Redesenhando a jornada do cliente

É preciso redesenhar a jornada do seu consumidor, desde a compra do ingresso, passando pelo dia do evento até o momento de despedida, mas dessa vez pensando em acessibilidade à frente.

O primeiro contato dessa pessoa diz muito sobre como o evento está preparado para atendê-la. Seja ela uma pessoa com deficiência ou não.

Preparando todo um time de colaboradores para atender a todes, sem deixar que outras limitações fiquem de fora é fundamental. Isso também inclui a produção de conteúdo pré e pós evento, levando em conta o uso de ferramentas assistivas como textos, vídeos e imagens adaptados.

Estratégias que contemplem a todes

O percentual de pessoas com deficiência em eventos só é pequeno porque os eventos não viabilizam este espaço, sabendo disso é preciso criar desejo de participar de um evento que converse com essas pessoas.

Como atingir e conquistar esse público é parte de uma nova estratégia para o seu evento que deve contar com isso desde a campanha publicitária. Mostre como seu evento está preparado, e quer que essas pessoas façam parte da história.

Ou seja, mostre essas pessoas assim como suas vivências dentro dos eventos, incluindo áreas e serviços especialmente criados para PCDs. Afinal, representatividade é a pessoa se ver e entender que aquele espaço também é para ela, isso vale para todes!

Estamos em obras

Estar em obras é assumir que estamos aprendendo com a chegada do futuro. A gente sabe que é muita novidade e que bom! A urgência dessa realidade faz com que as pessoas estejam com pressa.

Um evento que seja realmente para todes precisa de estudo, treino e muita dedicação. Não é atoa que existem consultores de acessibilidade sendo peças fundamentais nessa construção, não é mesmo?

Assim como esses profissionais, outros setores também estão se preparando para a pluralidade das pessoas. Eventos de música, por exemplo, devem contar com intérpretes que tenham conhecimento prévio sobre instrumentos e estilos musicais.

O leque fica ainda mais aberto com tantas possibilidades de garantir uma experiência natural e fluida pra quem está participando.

E a comunidade surda?

Por falar em eventos de música, a participação da comunidade surda em shows musicais ainda gera muitos debates. Porém, é preciso ir por etapas e contemplar essas pessoas da melhor forma, até que a tecnologia avance suficientemente criando soluções inteligentes mais acessíveis.

Um evento de música poucas vezes oferece como experiência apenas a música, existem outras formas de impactar pessoas por meio de diferentes experiências sensoriais.

Portanto, estimular PCDs a estarem nesses espaços, é justamente contribuir para o aceleramento dessas tecnologias, diferente por exemplo, das atuais legendas geradas automaticamente que ainda cometem muitos erros, gerando muitas críticas.

Por fim, e depois de todas essas dicas, é importante saber que o caminho para a acessibilidade ideal é longo. A princípio, o seu evento pode não ser o seu case de sucesso em acessibilidade, porém, já é mais do que válido começar a fazer diferença na vida do seu potencial consumidor. É só começar!

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10 ANOS produzindo eventos de alto nível e experiências únicas em BH. Se sua noite foi inesquecível, foi a gente que fez.

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